29 de nov de 2010

Alta Precisão

Na Grande Pirâmide, atributos como uma área de mais de 13 acres (mais de 53.000 m²) e aproximadamente 6,5 milhões de toneladas de blocos de granito e pedra calcária, se tornam meros detalhes diante da incrível precisão “high-tech” presente em todos os aspectos de seu projeto.

Uma pequena analogia
Antes de entrarmos em detalhes, consideremos as implicações do uso extensivo de alta precisão em monumentos de grandes proporções.
Façamos uma pequena analogia com um simples relógio de pulso. Se você estiver atrás da precisão de cerca de 10 segundos por ano, então um relógio de quartz normal ao custo de poucos Reais fará o serviço. No entanto, se você estiver atrás de uma precisão de uma fração de segundos por ano, então o relógio de quartz não servirá e você terá que buscar um relógio atômico.
Uma situação similar ocorre na indústria da construção. Se você estiver construindo uma parede reta de tijolos apontada para o norte, e com um grau de inclinação de mais ou menos um por cem metros, então, qualquer (bom) pedreiro deveria ser capaz de atender esta especificação. No entanto, se o requerimento for uma parede reta com a precisão de um arco de minuto por cem metros, e direcionada exatamente para o norte, então serão precisos um teodolito à laser, um mapa cartográfico com precisão de dez metros, e uma equipe de profissionais altamente qualificados, incluindo um engenheiro civil sênior, um astrônomo, um agrimensor, vários mestres-de-obra e pelo menor uma semana para assegurar que a precisão que se deseja atingir foi conseguida. E tudo isso para uma simples parede....
Tal precisão de “relógio atômico” foi conseguida pelos construtores da Grande Pirâmide mais de 4.500 anos atrás (isso, se considerarmos a datação oficial). Algo assustador! E isto não se trata de uma questão de especulação histórica, ou de teoria, mas de fatos mensuráveis.
E estes fatos formam um conjunto de dados tão completos e tão complexos, que seria necessário uma enciclopédia inteira somente para abordá-los em detalhe. Vejamos alguns...

Geoposicionamento
A circunferência equatorial da Terra é de cerca de 40.076 km. Um grau de latitude do equador equivale a cerca de 111,32 km ou 111.322 metros (um grau é achado dividindo-se a circunferência total por 360 graus).
Cada grau é dividido em 60 arco-minutos – ou seja, cada arco-minuto representa aproximadamente 1.855,37 metros na superfície da Terra. Cada arco-minuto é então subdividido em 60 arco-segundos – com o resultado que 1 arco-segundo é equivalente à distância de aproximadamente 30,92 metros.
Este sistema de medidas por graus não é uma convenção moderna, mas uma herança do pensamento científico, conectado à matemática da “base 60”, que remonta à mais remota antiguidade. Ninguém sabe exatamente onde, ou quando, se originou (apesar de alguns estudos apontarem para a antiga Suméria, 2.000 a.C.). Parece, no entanto, ter sido empregada nos cálculos geodéticos e astronômicos que foram usados no posicionamento da Grande Pirâmide. Este monumento está posicionado a cerca de 2,3 km ao sul da latitude 30º, quase exatamente um terço do caminho entre o equador e o Pólo Norte.
É improvável que a escolha deste local tenha sido por acaso. Mais ainda, pelo fato de não existir lugar que suporte uma estrutura tão massiva 2 km ou mais ao norte, seria um erro assumir que o desvio fracional do trigésimo paralelo tenha sido causado por um erro de agrimensura por parte dos construtores da pirâmide. Este desvio (do paralelo 30) equivale a um arco-minuto e quinze arco-segundos – já que a latitude real da pirâmide é de 29º58’45’’N. Então, como explicar este “desvio”?
Um astrônomo (Charles Piazzi Smyth???) da Academia Real de Astronomia da Escócia observou:
“Se o projetista original tivesse desejado que os homens pudessem ver com seus olhos físicos - ao invés de com seus olhos mentais - o pólo do céu à partir da base da Grande Pirãmide a uma altitude ante eles de 30 graus, ele teria tido que levar em conta a refração da atmosfera; e isso teria necessitado que a construção ficasse a uma latitude 29º58’22’’N, e não a 30º.”
Em outras palavras, a Grande Pirâmide está situada a menos de meio arco-minuto ao sul da latitude astronômica de 30 graus – não corrigido por causa da refração atmosférica. Isso significa afirmar que qualquer “erro” envolvido fica então reduzido a menos da metade de 1/60 (um sessenta-avos) de um grau, - o equivalente a um fio de cabelo em termos da circunferência da Terra como um todo.
Os construtores da Grande Pirâmide posicionaram-a levando em consideração o índice de refração da Terra...

Simetria em Grande Escala
A mesma preocupação obsessiva no que se refere à exatidão, é encontrada na regularidade da base da Pirâmide.
O comprimento médio do lado é aproximadamente 230,360 metros (230,12m = 440 cúbitos). O comprimento do lado norte é 230,328m – do lado leste é 230,369m – do lado sul é 230,372m – e do lado oeste é 230,372m.
A variação entre o lado mais longo e o lado mais curto é portanto de apenas 4,4cm – ou seja, aproximadamente um décimo de um porcento – um feito incrível quando consideramos que estamos medindo a distância de mais 23.000 centímetros (ou mais de 9.000 polegadas) atapetados com milhares de blocos de pedras calcárias pesando várias toneladas cada.
Não há sinal que os antigos contrutores de pirâmides tenham se intimidado de alguma forma pela tarefa de manter tais padrões tão exigentes de simetria em escalas tão grandes. Ao contrário, parece que sempre buscavam desafios técnicos adicionais.
Um dos exemplos disso, é o fato de terem equipado os cantos da Grande Pirâmide com ângulos quase perfeitos (ou perfeitos, se considerarmos a época em que foram feitos).
A variação de 90 graus é de menos de meio grau em todos os lados, sendo somente 0º00’02’’ no canto noroeste, 0º03’02’’ no canto nordeste, 0º03’33’’ no canto sudeste, e 0º00’33’’ no canto sudoeste.
Isto, devemos reconhecer, não é somente a exatidão de um “relógio atômico”, mas a da engenharia da Rolex, BMW, Mercedes Benz, Rolls-Royce e IBM todos juntos.

E ainda há mais...
É bem sabido que a Pirâmide foi alinhada por seus arquitetos com os pontos cardeais (com sua face norte voltada para o norte(!), etc). Menos sabido é o quão exato é a precisão destes alinhamentos – com o desvio médio de um somente um pouco mais de 3 minutos (aproximadamente 5 porcento de um único grau).
Por que tanta meticulosidade? Por que tanto rigor? Por que até mesmo os reis (faraó é um termo relativamente moderno) mais megalomaníacos se importariam se sua massiva “tumba” estava alinhada em 3 arco-minutos (ou até 1 grau inteiro) ao norte verdadeiro? A um observador a olho nú, é virtualmente impossível determinar tal desvio. Na verdade, a maior parte de nós não poderia identificar um desalinhamento de 3 graus completos (180 arco-minutos), - imagine 3 arco-minutos! Algumas pessoas tem até sérios problemas em apontar corretamente os pontos cardeais.
Então, a pergunta que fica: para que toda esta precisão?
Por que os construtores se sobrecarregaram com tanto trabalho e dificuldades extras, quando os efeitos de seu trabalho adicional não seriam vistos a olhos nús? Por que?
Eles devem ter tido um motivo poderoso para criar o que é realmente um milagre da arte da construção.
E o que torna este milagre ainda mais marcante, é o fato de que não foi realizado em uma área perfeitamente plana do chão – como poderíamos esperar – mas em um massivo morro (ou colina) natural, que foi deixado exatamente no meio do local no qual a Grande Pirâmide foi erigida. Estima-se que esta elevação natural tem aproximadamente 9 metros de altura – tão alto quanto uma casa de tres andares – e está posicionada bem no centro da área da base, ocupando cerca de 70 porcento. Esta elevação original foi habilidosamente incorporada nas camadas inferiores da crescente edificação. Sem dúvidas, sua presença contribuiu para a lendária estabilidade da estrutura ao longo do tempo. É extremamente difícil, no entanto, entender como os antigos construtores tiveram a habilidade para enquadrar a base da Pirâmide em seus estágios iniciais e mais importantes com um monte tão sólido no caminho (lembrando que esquadrinhar a base normalmente envolve tirar medidas diagonais repetidas através dos cantos).
Tudo o que podemos dizer com certeza é que a base é quadrada e que o monumento está alinhado nos pontos cardeais do nosso planeta com grande cuidado e precisão...