7 de fev de 2011

O Espiritismo e o Fenômeno UFO

Uma íntima correlação de fatos que explica manifestações em ambas as disciplinas
 

O Espiritismo e a Ufologia têm pontos de intersecção significativos que atingem tanto os objetos de seus estudos individuais, quanto as conseqüências diretas de tais práticas no dia a dia
Em 1854, o renomado pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, que mais tarde adotaria o pseudônimo Allan Kardec, recebia a visita do senhor Fortier, seu amigo pessoal, que lhe falava sobre os fenômenos impressionantes que vinha presenciando. Os objetos inanimados, como mesas, cadeiras e copos, ao influxo de um magnetizador, se movimentavam de um lado para outro. E mais, “falavam”, por assim dizer, quando indagados sobre alguma questão. A princípio, Kardec mostrou-se cético, não quanto à movimentação dos objetos, mas quanto ao fato deles se expressarem de maneira inteligente, pois, em suas palavras, não possuíam cérebro para pensar.
Foi numa certa noite de maio de 1855, na casa da senhora Plainemaison que, pela primeira vez, assistiria aos fenômenos das chamadas mesas girantes e da escrita mediúnica. Após aquela noite, de posse de seu feeling investigativo, afirmaria ter visto naquelas aparentes futilidades algo de mais profundo, como uma nova lei que resolvera estudar firmemente. O Espiritismo, como afirmaria Kardec, é uma ciência de observação, com profundas conseqüências filosófico-morais. E, como tal, requer daqueles que se declarem espíritas um estudo aprofundado de tudo que lhe seja apresentado como possibilidade de experimentação. Decorrente desse exame podemos dizer que o caráter religioso do Espiritismo é conseqüência das observações científicas e das questões morais e filosóficas que a ele se apresentam. Fatalmente, esse conjunto nos conduz a uma maior aproximação da Inteligência Suprema, a que chamamos Deus – princípio de toda religião.
A ciência espírita e o crivo da razão — Allan Kardec, em 1859, em meio à obra O Que é o Espiritismo [Federação Espírita Brasileira, 1990], definia a doutrina como sendo uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos espíritos, bem como de sua relação com o mundo corporal. Essa é a chamada Ciência Espírita, propriamente dita, que cuida especificamente de tudo o que se refere ao intercâmbio mediúnico entre encarnados e desencarnados, que configura a influência dos espíritos sobre a humanidade. Ao assumir as rédeas da chamada codificação espírita, que consistiu em reunir em livros os ensinamentos dados pela equipe do Espírito Verdade, Kardec implementou determinados procedimentos racionais que lhe permitiram assegurar a legitimidade das comunicações recebidas. Podemos dizer que ele adotou algumas diretrizes principais, no intuito de nortear o seu trabalho e chegar ao fim com uma bom resultado.
Para isso, escolheu colaboradores insuspeitos. E assim, o fez tanto do ponto de vista moral quanto da pureza das faculdades, por entender que a mediunidade em si, como manifestação dos espíritos desencarnados, não dependeria exclusivamente do aspecto moral do médium.