4 de nov de 2010

Paracas


Ao norte da planície de Nazca, encontramos uma estranha e bizarra imagem. O famoso "tridente" ou "candelabro". Traçado sobre a duna ocre e salitrosa da ponta Pejeney, na península de Paracas, parece não ter nenhuma ligação com o "tabuleiro maldito" de Nazca, ou muito menos, com a mítica Machu-Picchu, ou a cidade de Cuzco, pelo menos no que se refere a direção. A única similaridade com Nazca refere-se à secura do lugar. Foi isto que permitiu que a imagem permanecesse intacta até hoje no local.
     Diversas hipóteses foram levantadas a cerca que este apontava para o Vale do Ingênio - em Nazca. Isto já foi descartado. O "tridente" aponta na verdade para o norte, com seu eixo central apontando diretamente para a Ilha Blanca, perdendo-se então no Oceano Pacífico.
     Suas dimensões variam de incríveis 183 metros de comprimento contra 3.2 metros de largura e de 1 a 1.2 metros de profundidade nos braços.
     Quando escavado no interior dos "braços" do tridente, nos deparamos com outra surpresa. A 10 ou 15 centímetros do solo, a areia desaparece, dando lugar a uma costa branco-amarelada, de natureza cristalina, muito comum em toda a península de Paracas. Além de sua ofuscante luminosidade, possui uma superfície extremamente lisa. Provavelmente, há centenas ou milhares de anos, o "tridente" de Paracas certamente faiscaria ao Sol, como uma candelabro de prata. Ou seja, se hoje em dia ele é visto do mar ou do ar com um colorido avermelhado-amarelento, no passado, poderia ser visto como um farol, podendo ser avistado, com um tempo limpo, há 20 quilômetros da costa.
     Entretanto, qual a sua finalidade? Como as figuras de Nazca, apesar da quantidade astronômica de teorias a esse respeito, ninguém sabe ao certo o seu porque, ou o por que de sua magnitude, apesar de que ao contrário de Nazca, seus construtores não parecem ter encontrado muitas dificuldades para a sua confecção.
     A teoria de que possa ter servido como um farol para orientar os marinheiros através das escarpas turbulentas da região é bem aceita. Há diversas outras teorias como se pode imaginar. Algumas delas fantásticas, outras nada nos dizem, como a teoria mais aceita entre os arqueólogos, de que seria um signo de natureza astronômica. Se assim o é, por qual motivo só seria visto do céu ou do mar?

     Outra teoria também bastante aceita é que este seria um signo ritualístico, talvez relacionado a sacrifícios humanos. Com efeito, como dito antes, seu eixo principal aponta para a Ilha Blanca, e relativamente próximo, encontramos outro grupo de ilhas, as Chincha, onde arqueólogos encontraram múmias de jovens mulheres decapitadas.
     Tanto na cerâmica como nas célebres mantas de Paracas e nas manifestações artísticas dos "nazca", o "tridente" ou "cacto-tridente" aparece com certa constância.
     O porque desta imagem… talvez nunca venhamos a saber.