22 de fev de 2011

O desaparecimento de colônia de Roanoke


A tragédia da Colônia Perdida teve início em meados de 1587. Talvez o termo “tragédia” não deva ser aplicado ao caso em questão. Na realidade, até os dias de hoje, não existem provas concretas do destino da colônia inglesa de Roanoke e, por conseguinte, impossível torna-se qualificar seu fado.
As teorias sobre seu desaparecimento surgiram proporcionalmente ao crescimento do interesse dos estudiosos em sua história. Paralelamente aos fatos científicos explorados, crendices e superstições reivindicavam seu lugar como responsáveis pelo fadário da colônia inglesa.
Apesar de seu desaparecimento estar coberta por um denso véu de dúvidas e contradições, a história da colônia de Roanoke não compartilha de tais características. Pelo contrário, encontra-se fortemente estruturada em fatos e documentos históricos.
O comandante inglês John White, em companhia de um grupo de agricultores, dirigiu-se a Ilha de Roanoke, com o intento de se encontrar com 15 homens ali deixados, no ano precedente, por Sir Richard Grenville, também integrante das forças armadas inglesas.
Ao chegarem ao local onde o pequeno grupo fora deixado, tudo que encontraram foram os restos mortais – ossos - de um dos homens de Grenville. Não havia sinais dos demais.
Por motivos ainda obscuros, optaram por se estabelecer novamente na Ilha de Roanoke. Casas foram erguidas e uma pequena vila surgiu.
Dentre os exploradores, encontrava-se um índio de nome Manteo, o qual foi de suma importância para o restabelecimento das relações diplomáticas entre os ingleses e os nativos de uma ilha próxima, a de Croatoan. No dia 13 de agosto, Manteo foi catequizado e declarado Lorde de Roanoke e Dasamonquepeuc, como recompensa por serviços prestados a Coroa. Dias depois, nasceria Virginia White, neta do comandante John White, assim batizada por ser a primeira criança de descendência inglesa nascida no Novo Mundo.
Com a partida do comandante White no 27º dia, a história dos eventos ocorridos na colônia tornaram-se um trágico mistério. Ele partira com o intento de trazer pessoal e suprimentos para a colônia, deixando para trás parte de sua família. No entanto, seus planos para retornar a Roanoke foram frustrados pelo recrutamento das forças navais inglesas. Fora declarada guerra contra a Espanha.
Anos passavam sem que John White conseguisse organizar uma nova expedição para o Novo Mundo. Em 20 de março de 1590, utilizando-se do que restara de sua influência perante a corte, White conseguiu embarcar para a colônia, sem os pleiteados suprimentos e pessoal. Afinal, embarcara como um simples passageiro.
Após meses de atividades militares, a expedição na qual se integrara, a expedição Wattes, no dia 12 de agosto de 1590, ancorou próxima à parte nordeste da Ilha de Croatoan. Certamente, se possuísse as informações que viria a adquirir seis dias depois, o comandante White requisitaria uma busca naquela ilha.
Já ancorados próximos a Roanoke, a tripulação pôde observar fumaça que subia da terra, enchendo-lhes de esperança quanto à segurança da colônia e de seus integrantes. Na manhã do dia seguinte, dois botes deixaram o navio em direção a praia. Durante o percurso, observaram uma nova coluna de fumaça, porém, em local diverso do que haviam visto na noite do dia anterior. Optaram, então, por investigar os sinais de fumaça mais recentes. A busca foi cansativa e inútil, pois não encontraram quaisquer sinais de seres humanos no local do fogo.
Novamente no interior do navio, eles observaram um ponto de luz na região norte da ilha. Dirigiram-se, no dia subseqüente, para o local onde avistaram a luz, mas tudo o que encontraram foram restos queimados de madeira. Daquele ponto, decidiram dirigir-se para o local onde Comandante White deixara estabelecida a colônia anos antes. Durante o percurso, nada de relevante foi observado, com exceção de algumas pegadas, provavelmente deixadas por nativos durante a noite.
Ao se aproximarem da vila de colonos, notaram as letras “CRO” incrustadas, em letras romanas, em uma árvore na base de um monte próximo. Guiados até o local das casas, acharam-nas, para seu desespero, derrubadas e destruídas e, a área em torno da pequena vila, cercada por estacas de madeira, como uma frágil muralha. Em uma das vigas principais, White encontrou a inscrição “CROATOAN”.
Ficara estabelecido, nos dias que antecederam a partida de John White, que, em caso de necessidade de remoção da colônia para outra localidade, este lugar seria a Ilha de Croatoan, e que, se tal mudança fosse forçada, levada por circunstâncias hostis, os colonos deveriam, de alguma forma, incrustar os dizeres “CROATOAN”, seguido de uma cruz de malta. Na inscrição encontrada pela expedição inglesa, não havia sinal da mencionada cruz.
A busca continuou, e John White percebeu, no interior das poucas casas que permaneceram erguidas, que os objetos encontravam-se cobertos por lodo e grama, tornando evidente que vila restava-se abandonada há muito. Ainda, no local onde os botes costumavam a ser ancorados, não havia qualquer sinal dos mesmos, ou de quaisquer outros equipamentos.
Comandante White, em sua primeira estada na ilha, deixara enterrados mapas, ilustrações e livros em um lugar secreto, de forma que pudesse encontrá-los posteriormente e se guiar através deles. Seus pertences foram misteriosamente encontrados e destruídos.
Diante de tamanha tragédia, uma pequena esperança ainda teimava em queimar em seus corações: sua filha, sua neta, bem como todos os demais colonos, poderiam ter se refugiado na Ilha de Croatoan, terra Natal de Mateo, como apontava a evidência incrustada em madeira.
Uma tempestade formava-se e o comandante e sua trupe retornaram ao navio. No dia seguinte, acordaram em dirigir-se a Croatoan, porém, o clima tempestuoso não permitiu. Traçaram um plano segundo o qual dirigir-se-iam para oeste em busca de água fresca e suprimentos, retornando, então, à sua desesperada busca. Novamente, os elementos não contribuíram com o comandante inglês. Incapacitados e derrotados, eles rumaram de volta à Inglaterra.
John White não conseguiu angariar recursos necessários a uma nova expedição, e o destino de sua filha, de sua neta, e de toda a colônia de Roanoke, perdeu-se para sempre nos jardins da História.
Não obstante os mistérios que, ainda hoje, envolvem a Colônia Perdida, teorias de todas as sortes - incluindo furacões, doenças e abduções alienígenas – reproduziram-se.
Duas teorias tomaram a dianteira na corrida por credibilidade.
Algumas evidências apontavam para o extermínio dos colonos, praticado pelos hostis nativos. Ora, como já foi explicitado, uma expedição precedeu a de John White; porém, apenas restos mortais foram encontrados. Da mesma forma, a disposição das estacas de madeira, postadas em torno da vila, como uma espécie de cerco protetor, indica a necessidade de proteção contra atentados externos. Mas, neste caso, no momento em que deixavam registrado seu destino – quando incrustaram a palavra “CROATOAN” em uma das árvores – uma cruz de malta deveria ter sido ali colocada.
A teoria mais aceita, no entanto, diz que os colonos deixaram a Ilha de Roanoke – provavelmente devido a uma forte seca que assolou a região – dirigindo-se à Ilha de Croatoan, onde encontraram receptividade por parte dos nativos, em muito devido à presença de Mateo, natural daquela ilha. Acredita-se que os nativos que foram posteriormente ali encontrados possuíam traços do homem branco, o que corroborou fortemente para esta teoria.
Aparentemente, nenhum recurso, em nosso mundo conhecido, será capaz de desvendar a lenda da Colônia Perdida, informando, com precisão, seu destino. Resta-nos crer no melhor dos fados, e acreditar que os fantasmas de Roanoke descansam em paz.
Ilha_roanoke
Mapa mostrando a ilha de Roanoke