30 de jan de 2011

Vida fora da Terra: eles acreditam




Fonte: A Gazeta
Extraterrestres, discos voadores, casos de abdução. Quem pensa que esses e outros assuntos relacionados à vida fora da Terra são discutidos apenas entre pessoas com imaginação fértil, se engana. Ao contrário do que é retratado em diversas obras de ficção, cada dia aumenta o número de estudiosos que lançam mão de argumentos convincentes para explicar possíveis fenômenos ufológicos.
Quem assiste à novela das oito na Rede Globo vê um estereótipo combatido por ufólogos. O personagem Augusto César acredita que a esposa tenha sido abduzida por seres extraterrestres, enquanto, na verdade, ela está presa há anos. Avesso à tecnologia e longe do convívio social, ele se tornou motivo de piada entre os colegas.
O perfil acima contrasta com o de Rômulo Augusto Penina, 73, presidente do Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado (IPAJM) e ex-reitor da Ufes. Na vida real, ele faz parte do grupo de pessoas que acredita na existência de seres inteligentes fora do planeta.
Segundo o presidente da Associação Nacional dos Ufólogos do Brasil e do Núcleo de Pesquisas Ufológicas, Rafael Cury, há cerca de 200 grupos no Brasil em busca de indícios. "O amadurecimento da ufologia contou com a ajuda de profissionais de diversas áreas, como sociólogos, biólogos, astronomos, entre outros. Hoje sabemos que existem centenas de registros de OVNIs no Brasil, inclusive com fotos. É bom deixar claro que não há provas. Muitos cobram provas, mas o que temos são evidências, indícios, de vida fora da Terra. Até porque se houvesse provas já não existiria mais mistério".
Estudos indicam que existem entre 200 e 300 bilhões de galáxias no universo. A recente descoberta de água em Marte, considerada condição essencial para a existência de vida, reacendeu o debate na comunidade científica.
O coordenador do Observatório de Vitória, Sérgio Mascarello Bisch, ressalta que as pesquisas científicas já trabalham com a possibilidade de haver vida microscópica no Sistema Solar.
"Por enquanto não há confirmação de que haja algum tipo de vida fora da Terra. A grande maioria dos avistamentos (de Objetos Voadores Não Identificados) podem ser explicados por fenômenos naturais como aviões em grande altitude e planetas que brilham, como Vênus. Mas considerando que as leis da física são universais, se existe vida na Terra é provável que exista em outras partes do universo. Embora isso não tenha sido provado", diz.
Vaticano diz que extraterrestres são irmãos
Este ano, a Igreja Católica surpreendeu os fiéis e estudiosos do tema ao comentar a possibilidade de existir vida fora da Terra. Em maio, o diretor do observatório astronômico do Vaticano, José Gabriel Funes, chegou a afirmar que a existência de vida em outros planetas não contradiz os ensinamentos da bíblia. "Como existem diversas criaturas na Terra, poderiam existir também outros seres inteligentes, criados por Deus", comentou em entrevista ao jornal L'Osservatore Romano, órgão oficial de imprensa da Santa Sé. O jesuíta Funes ainda citou São Francisco de Assis ao dizer que possíveis habitantes de outros planetas devem ser considerados como nossos irmãos. "Se consideramos as criaturas terrestres como irmão e irmã, por que não poderemos falar também de um irmão extraterrestre?", questionou.
De empresários a garotos: todos já viram OVNIs
Rômulo Augusto Penina, 73, é odontólogo, presidente do Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado (IPAJM), está à frente de três faculdades e já foi reitor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) por dois mandados, de 1980 a 1984 e de 1988 a 1992. Ele garante que nunca se dedicou à ufologia ou participou de um congresso sobre o tema, mas não tem dúvidas: existe vida fora da Terra.
Ele diz que nunca duvidou da existência de seres extraterrestres, mas a certeza foi alcançada por duas experiências inesquecíveis. Sem medo de estereótipos, Penina afirma que já viu objetos voadores não identificados (OVNIs).
"Há cerca de dez anos minha esposa e eu recebemos um convite de um casal para passar um final de semana em Vargem Alta. Lá, houve uma pane de energia, à noite, e saímos da casa. Uma amiga e eu vislumbramos uma imagem no céu. Era um objeto muito luminoso, que se movia rapidamente e depois foi se distanciando. Algum tempo depois, na época de carnaval, em Guarapari, vi com absoluta nitidez uma coisa luminosa, arredondada, que se movia com muita velocidade em diversas direções. Não poderia ser uma aeronave comum. Tive a felicidade e a satisfação de ter testemunhas nas duas ocasiões e hoje tenho convicção da existência de vida em outros planetas", afirma.
Ele admite que ao contar a história para os amigos não foi levado à sério, mas isso não abalou sua convicção. Ainda assim, Penina não espera ter outra experiência semelhante. "Hoje, moramos em apartamento e não vejo nem a chuva passar. Além disso, há muita poluição", diz.
"Tenho plena convicção do que vi. Geralmente, são pontos que ficam parados no ar, que mudam de cor e com um movimento brusco somem em sentido ascendente. O problema é que algumas pessoas imaginam histórias e comprometem a veracidade dos fatos. Gosto de racionalizar esses fenômenos. Em breve, eles serão desvendados"
Suzana Villaça Artista plástica, escritora e radialista


Interior do Estado tem grupo de estudos
O estudante Felipe Hermínio Schwanz, 17, criou um pequeno grupo de pesquisa sobre fenômenos ufológicos há dois anos, no município de Santa Teresa, e já pretende ampliar o trabalho.
Felipe admite que o interesse pelo tema não é compartilhado pela família e pelos amigos, mas não desanima. "Todo mundo fala que eu sou doido, que isso não existe. Agora minha família já aceita melhor, mas no início foi difícil".
Ele diz que viu o que acredita ser um OVNI. "Vi uma vez, durante uma vigília (noite reservada para observar o céu), depois outra vez quando voltava da escola para casa. Mais tarde encontrei na internet outros relatos sobre o objeto que vi".
Ele afirma que teve o chamado o contato imediato de 1º grau, ou seja, sem interação com o ser de outro planeta. O vocabulário já faz parte da rotina do jovem, que hoje trabalha como jornaleiro, mas pretende estudar astrologia para conhecer melhor o universo. "Na minha cidade já sou tratado como especialista", comemora.
Ocorrências

8 milhões
Esse é o número estimado de ocorrências ufológicas registradas em quase 180 países, incluindo o Brasil, de acordo com o Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV)

As opiniões
"Não acredito na existência de vida em outros planetas. Sou evangélico e vejo a questão pelo lado bíblico. A bíblia não diz que há a possibilidade de vida fora da Terra. Não acredito que as pessoas tenham visto algum OVNIs, por exemplo. Para mim é tudo não passa de fruto da imaginação".
Márcio Eufrázio Baubino , 40, servidor público
"Acredito. Acho que não há só a gente no universo. O ser humano teria que se achar muito importante para acreditar nisso. Há 50 anos seria inacreditável dizer que surgiria a cura para várias doenças da época ou que, no futuro, seria possível controlar tantas coisas via satélite. A ciência ainda deve evoluir muito".
Saulo Cardoso Motta , 24, bombeiro

"Não acredito em vida fora da Terra. Por mais que a pesquisa aponte para a existência de água em outros planetas, não acredito. É difícil de explicar. Acredito muito na bíblia e a palavra não diz nada sobre isso. Não acredito sequer que possa haver formas de vida mais simples, sem inteligência".
Ana Angélica Corradi Santiag , 31, estudante de Direito
Ponto de Vista: Possibilidade de haver planetas habitados é real
Viagem interplanetária
Se nós existimos, há a possibilidade de também existir vida em outro lugar no universo. Mas a chance de haver vida inteligente diminui; de haver civilizações tecnológicas, é menor ainda. O que as pessoas chamam de OVNI (Objeto Voador Não Identificado) é reflexo da cultura em que vivem. Antes as pessoas viam bruxas no céu. Como vivemos em uma era tecnológica, tudo o que se vê e não pode ser explicado imediatamente pode ser interpretado como tecnologia de outro planeta. De acordo com as leis da física, as viagens interplanetárias são impossíveis. A distância entre as estrelas é muito grande. Mas se mesmo assim fosse possível viajar na velocidade da luz, frear a nave seria uma tarefa impossível. Levaria centenas de anos e exigiria muita energia. A única forma de viajar pelas estrelas é pela imaginação. Mesmo se houvesse comunicação por rádio, por exemplo, a mensagem levaria anos para ser recebida. Além disso, ninguém sabe como seria um contato direto com seres de outros planetas. Basta lembrar que quando os Europeus chegaram na América as bactérias que eles levaram quase dizimaram os índios. Imagine o que poderia acontecer com o ser humano ao ter contato com substâncias sequer encontradas na Terra. Poderia ser uma arma biológica. Portanto, pode até haver vida fora do nosso planeta, mas os cientistas não acreditam em disco voador. O que acontece com freqüência são pessoas que observam planetas brilhantes ou estrelas e confundem com naves espaciais.
Antônio Carlos Garcia Júnior. Astrônomo amador
Sem exclusividade
A presença de vida fora da Terra tem um aspecto lógico, com base no conhecimento que o ser humano tem sobre o universo. Todos os elementos químicos do planeta estão espalhados pelo universo. Nada é exclusivo da Terra, nem mesmo do Sistema Solar. Além disso, o nosso sistema solar faz parte de uma galáxia com, no mínimo, 100 bilhões de outras estrelas. Um estudo recente mostra que é expressivo o número de estrelas que é acompanhada por por planetas, como acontece no sistema solar. Com base nessas informações, não tem nem sentido ainda perguntar se há vida fora da Terra. Nos últimos 60 anos foi levantada uma grande quantidade de documentos que registram fenômenos ufológicos; seja por ufólogos, seja pelas forças armadas das principais nações do mundo. Há naves observadas por meio de radares, outras filmadas. Há até casos de avistamentos com milhares testemunhas. Sabemos, por exemplo, que a Força Aérea Brasileira está envolvida com esse assunto desde 1954. No meu último livro, contei relatos de militares que não se conformam com a forma como os dados são escondidos da população. Em 2004, nós da Comissão Brasileira de Ufólogos fizemos um manifesto, chamado "Ufos, Liberdade de Informação, Já" pleiteávamos documentos de estudos de casos ufológicos. Protocolamos o dossiê Ufo Brasil, com esse objetivo. Há alguns dias recebemos a confirmação de que está sendo finalizado o processo para liberar o primeiro lote de documentos sobre investigações no espaço aéreo brasileiro".
Marco Antônio Petit. Ufólogo