16 de nov de 2010

Livro - "Eram os Deuses Astronautas?" Capitulo 2 - Parte 1

Quando nossa espaçonave pousou...  



A viagem fantástica de uma nave espacial para o Cosmo

"Deuses" chegam em visita

Vestígios que o vento não leva




JÚLIO VERNE, o avô de todos os novelistas de ficção científica, tornou se, afinal, um narrador de
aventuras facilmente aceitáveis. O produto de seu maravilhoso poder imaginativo já não é mais
ciência de ficção: ao contrário, foi consideravelmente superado. Os astronautas de nossos dias
efetuam a viagem ao redor do mundo em pouco mais de 80 minutos, e não em 80 dias.

Neste capitulo, iremos resumir o que possivelmente acontecerá numa imaginária viagem que só
espaçonaves do futuro poderão efetuar. Mas tal excursão, embora assombrosa, será de fato
realizável dentro de menos décadas que as decorridas entre a concepção de Júlio Verne, então
utópica, de uma volta ao redor do mundo em 80 dias, e a realidade de hoje, que nos apresenta
astronaves rodeando o globo em 86 minutos apenas.

Não pretendemos, porém, valer nos de períodos de tempo assim tão curtos: vamos supor que nossa
espaçonave partiria da Terra, em direção a uma distante e desconhecida estrela, somente daqui a
150 anos.

Essa nave espacial deveria ser, sem dúvida, tão grande quanto um transatlântico atual. Em
conseqüência, teria um peso inicial de 100.000 toneladas, correspondendo 99.800 toneladas a
combustível e 200 a carga útil efetiva.

Impossível?

Não. Hoje em dia, já poderíamos montar uma espaçonave, peça por peça, em pleno espaço,
enquanto tudo estivesse a girar em órbita, ao redor de um planeta. Entretanto, esse trabalho de
montagem no espaço será desnecessário em menos de duas décadas, porque será possível construir
uma imensa astronave na Lua e dai lançá-la ao espaço. Além disso, as pesquisas básicas em torno
da propulsão de futuros foguetes prosseguem aceleradamente. Os foguetes de amanhã serão
propelidos por meio de motores nucleares e viajarão a uma velocidade quase igual à da luz. Uma
solução nova e muito audaciosa se concretizará no foguete impulsionado por meio de fótons: a
praticabilidade de se construir tal engenho já foi demonstrada em experiências físicas realizadas
com partículas elementares. O combustível especial levado a bordo do foguete lhe permitirá chegar
tão perto da velocidade da luz que os efeitos da relatividade - especialmente a diferenciação entre o
tempo no ponto de lançamento, e o tempo na própria astronave - se farão sentir em sua plenitude.



O combustível irá sendo transformado, progressivamente, em radiação eletromagnética e, sob tal
forma, expelido como se procedesse de um conglomerado de jatos, mas com a velocidade da luz. 
Teoricamente, uma espaço nave equipada com fóton propulsores pode alcançar 99% da velocidade
da luz. A essa velocidade, as fronteiras do nosso sistema solar serão franqueadas com a rapidez do
raio.

É uma idéia estonteante. Mas nós, que nos encontramos no limiar de uma nova era, devemos ter
presentes, em nosso espírito, os passos de gigante com que a tecnologia assombrou também nossos
avós, pois eram igualmente de estarrecer, naquela época: as estradas de ferro, a eletricidade, o
telégrafo, O primeiro automóvel, o primeiro aeroplano. Houve uma primeira vez em que nós
mesmos nos espantamos ao ouvir melodias que pareciam vir através do ar; ao tomar contacto com
a televisão (em branco e preto e, depois, em cores); ao presenciar o lançamento de naves espaciais;
ao receber dados e fotografias procedentes de satélites artificiais em órbita ao redor da Terra e de
outros corpos celestes. Os filhos de nossos filhos farão viagens interestelares e realizarão pesquisas
cósmicas nas escolas técnicas das universidades.

Sigamos, porém, a viagem de nossa imaginária astronave, em direção a uma distante estrela.
Certamente, seria divertido tentar prever os recursos de que se utilizará a tripulação para matar o
tempo durante o percurso. Por enormes que possam ser as distâncias vencidas pelos astronautas e
por mais lento que acaso pareça o arrastar do tempo para os que ficarem na Terra, o fato é que
estarão sempre a produzir se os efeitos da teoria da relatividade de Einstein. Pode parecer incrível,
mas o tempo, a bordo de uma espaçonave em viagem, com velocidade próxima à da luz, passa mais
vagarosamente do que na Terra ou na Lua.


t
T



=

1 - ( )c2


Se a astronave viajar a 99% da velocidade da luz, transcorrerão somente 14 anos, um mês e 6 dias e
meio para a tripulação em viagem, enquanto se escoarem 100 anos para todos quantos tiverem
ficado na Terra. A diferença de tempo entre o dos viajantes e o da população terrestre pode ser
calculada por meio da seguinte fórmula, deduzida das transformações de Lorentz:

 (Nessa fórmula, t = tempo dos viajantes espaciais; T = tempo na Terra; v = velocidade da
astronave; c = velocidade da luz).

A velocidade de vôo da espaçonave pode ser calculada por meio da equação básica de foguetes,
estabelecida pelo Professor Ackeret:

v 1 - ( )- t2wc

w

=

w



c

[
× 1 +

( )- t2

wc]


(Nessa equação, v = velocidade; w = rapidez de emissão do jato; e = velocidade da luz; t = carga
inicial de combustível).

Ao aproximar se a astronave do sol distante que era seu alvo, os tripulantes certamente estudarão o
novo sistema planetário, verificarão as posições dos diversos planetas, procederão a análises
espectrais, medirão as forças gravitacionais e calcularão as diferentes órbitas. Finalmente,
escolherão, para nele descer, o planeta cujas condições mais se assemelharem às da Terra. Se nossa
espaçonave já dispuser, então, somente de sua carga útil efetiva, pelo fato de ter sido consumida a
totalidade do combustível após um percurso de, por exemplo, 80 anos luz, uma das primeiras e
mais importantes preocupações da tripulação será a de reabastecer os tanques com material físsil,
logo que tiver desembarcado.